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Ainda restam controvérsias em relação à autoria da famosa Carta a Diogneto, na qual um cristão relata a sua fé a um pagão. Na introdução à obra, editada no Brasil pela Paulus, Roque Frangiotti aponta que a hipótese mais provável é a elaborada por Paul Andriessen em 1946. Sem alongarmo-nos em questões técnicas, a tese de Andriessen afirma que a carta foi composta por volta do ano 120 e estaria endereçada ao imperador Adriano. O autor seria um dos primeiros apologetas, Quadrato.
O interesse da obra não reside, substancialmente, na refutação da idolatria ou na diferenciação do culto judaico em relação ao cristão. Está na descrição do estilo de vida dos primeiros cristãos. Estes são descrito como pessoas que, à parte sua fé, não se distinguem dos outros em coisas acidentais, como roupas, alimentação, etc., mas sim em seu comportamento.
Leiamos um trecho que, embora longo, esclarece a importância da Carta a Diogneto:
Os cristãos, de fato, não se distinguem dos outros homens, nem por sua terra, nem por sua língua ou costumes. Com efeito, não moram em cidades próprias, nem falam língua estranha, nem têm algum modo especial de viver. Sua doutrina não foi inventada por eles, graças ao talento e especulações de homens curiosos, nem professam, como outros, algum ensinamento humano. Pelo contrário, vivendo em cidades gregas e bárbaras, conforme a sorte de cada um, e adaptando-se aos costumes do lugar quanto à roupa, ao alimento e ao resto, testemunham um modo de vida social admirável e, sem dúvida, paradoxal.
criado por Eduardo Gama
19:14:48