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Terra Blog

11.04.07

Grandes nomes da história: Sólon

Em Paidéia, Werner Jaeger afirma sobre Sólon:

Em vez de se limitar a soltar resignados lamentos sobre o destino do homem e a sua inexorabilidade, como os líricos jônicos do seu tempo, que com não menos profundidade sentiram o problema da dor no mundo, Sólon dirige aos homens um apelo para ganharem consciência da responsabilidade na ação, e com a sua conduta política e moral oferece um modelo deste tipo de ação, vigoroso testemunho da inesgotável força vital e da seriedade ética do caráter ático. (p. 182, 2003) 


Breve Biografia    

Governador de Atenas, nascido nesta cidade, histórico como legislador e como fundador da democracia e considerado um dos sete sábios da Grécia. De origem nobre, mas de família empobrecida, dedicou-se na mocidade ao comércio, mas ganhou notoriedade ao liderar os atenienses (600 a. C.), na tomada da ilha de Salamina, que se encontrava sob o domínio de Mégara. Nesta época Atenas era dominada por uma aristocracia hereditária, cujos integrantes recebiam o nome de eupátridas, que possuíam as melhores terras e monopolizavam o poder e o sistema imperante se baseava no critério de riqueza. Isto gerava violentas lutas políticas, pois os demais cidadãos eram privados de qualquer direito, se tornavam devedores dos eupátridas e chegavam a hipotecar não só seus bens, mas a si próprios para saldarem as dívidas.

     Assumindo o poder absoluto (594 a. C.) o governador anistiou as dívidas dos camponeses, proibiu a escravidão por dívida, aboliu a hipoteca sobre pessoas e bens, libertou os pequenos proprietários que se encontravam escravizados, e impôs limites à extensão das propriedades agrárias, diminuindo os poderes e arbitrariedades da nobreza. Reestruturou as instituições políticas, deu direito de voto aos trabalhadores livres sem bens e codificou o direito e promulgou uma legislação especial sobre o uso de águas de fontes públicas (594 a. C.). Implantou reformas políticas e regulamentou o exercício do poder nas diversas categorias sociais.

     Criou um conselho de 400 membros, instituiu o tribunal popular e quebrou o monopólio dos eupátridas sobre os cargos de alta magistratura. O povo foi dividido em quatro classes, de acordo com o montante de imposto pago, com direito de voto. A última classe, os tetas, era isenta de impostos e tinha participação, embora restrita, na assembléia e tribunal populares. Essas medidas de resguardo da liberdade individual ficaram impressas na história democrática de Atenas, criando os fundamentos político-jurídicos que permitiram o advento da famosa democracia ateniense após a tirania dos psistrátidas.

     Seus decretos eram veiculados em brilhantes poemas, verdadeiros documentos históricos, dos quais restam poucos fragmentos. Guiava-se pelo interesse coletivo onde a religião e a moral mostravam-se no respeito a cada homem e pela lealdade para com o estado. (fonte: http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/Solon000.html)

Poema de Sólon

A nossa cidade nunca perecerá segundo a lei
de Zeus e a vontade dos bem-aventurados deuses imortais.
Pois esta tal, a protetora magnânima, a de pai robusto,
Palas Athena, mantem suas mãos sobre ela.
Os próprios cidadãos, arruinar a grande cidade com imprudências
querem, persuadidos pelas riquezas;
e é injusto o pensamento dos líderes do povo, aos quais é eminente,
por causa do grande excesso, muitas dores sofrer.
Não sabem conter a saciedade, nem ordenar
os prazeres presentes na paz do banquete
..........................................................................
se enriquecem, persuadidos por atos injustos
..........................................................................
nem os bens sagrados, nem os bens públicos
não poupando, roubam com avidez um aqui, outro ali.
Não conservam os alicerces veneráveis da Justiça,
que, em silêncio, conhece o presente e o passado,
e completamente vem estendendo-se no tempo.
Esta ferida inevitável já chega para toda a cidade
e rapidamente chegou contra a má escravidão.
Ela desperta a sedição civil e a guerra adormecida,
que de muitos destrói a amável juventude.
Por causa dos inimigos logo a multi-amada cidade
é arruinada pelas reuniões dos que são injustos com os amigos.
Estes males residem no povo: dentre os indigentes
muitos vão para uma terra estrangeira
vendidos e atados por vergonhosos elos
...............................................................
assim o mal público vai para a casa de cada um
e os portões do pátio não mais o querem deter,
sobre a alta muralha pula e descobre totalmente,
mesmo se alguém fugindo estiver no meio do tálamo.
Estas coisas ensinar aos Athenienses o coração me ordena,
como muitos males à cidade a Disnomia oferece.
A Eunomia tudo bem ordenado e justo revela,
e muitas vezes põe grilhões nos injustos;
as rudezas alisa, faz cessar a saciedade, atenua os excessos,
resseca as flores nascidas da loucura,
corrige as justiças tortuosas e ameniza os atos
arrogantes; faz cessar os atos da dissenção,
faz cessar a ira da terrível discórdia e estão sobre a influência dela
todas as coisas dos homens ajustadas e prudentes.

trad. Celina F. Lage

(http://br.geocities.com/bibliotecaclassica/textos/solon

  • criado por  Eduardo Gama criado por Eduardo Gama
  • Postado em 21:41:05
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