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Excelente artigo publicado hoje, 1 de julho, no Estadão. Apresento um resumo. O ensaio pode ser lido no endereço:
http://www.estado.com.br/editorias/2007/07/01/cad-1.93.2.20070701.31.1.xml
O que existe de novo no front?
Estréias em romance revelam uma produção de conservadorismo pop e realismo marqueteiro
Alcir Pécora
Como tem saído muita matéria entusiasmada sobre novos autores nos jornais, tratei de ler alguns livros dentre os mais citados. Começo por Fugalaça, de Mayra Dias Gomes (Record, 2007). Mesmo quem tenha passado em branco pelo sobrenome da autora, fica logo sabendo que se trata do romance de estréia da filha do dramaturgo Dias Gomes, escrito aos 17 anos. Impressionante? Nem tanto. Não há muita coisa no livro que a autora possa chamar de seu. Tudo nele está organizado como uma macaqueação do gênero de diário de bad girl rica e entediada, que se envolve precocemente com sex, drugs and rock-n'-roll. O mesmo gênero de subliteratura teen que já rendeu best sellers na Itália, com 100 Escovadas antes de Dormir, e na França, com Hell. Mayra é carioca, mas deslumbrada para ser moderna em SP, a 'Nova York no Brasil' - só fiquei sem entender onde estavam as 'lojas maravilhosas e caríssimas como as da Avenida Paulista'. Estaria ela falando do Banco Safra, do Bradesco, da Fiesp? A protagonista do romance autobiográfico tem alguns casos frenéticos, com roqueiros emo, mas depois de levá-los para a cama o que persiste é a tristeza e a solidão mais derramada. A narrativa é direta, em primeira pessoa, bastante fluente. O que há mais para se dizer de um romance como esse? Que para fãs do gênero, o melhor é tornar-se sócio de TV a cabo, e assistir a filmes na linha de Garotas sem Rumo, aos 13, ou mesmo de Kids e Ken Park? Não será nada tão cru quanto a leitura de Sarah, de J.T. Leroy, mas responderá bem à demanda da fórmula moralista da garota rebelde, na verdade, sensível e genial, em busca de alguém capaz de salvá-la de seu comportamento autodestrutivo. Esse gênero de narrativa participa do mesmo filão em que vicejam os reality shows: dividem o mesmo nicho de mercado onde têm ponto os relatos de prostitutas, encabeçados no Brasil pelo livro da célebre Bruna Surfistinha.
(...)
De tudo o que concluir? Que não senti especialmente perdida a semana de leitura, graças ao capítulo inicial de Mãos de Cavalo e aos fluxos provocativos de Toda Terça? Imagino, num relance pessimista, que não seja coincidência que Carola Saavedra seja a única não brasileira entre os autores. De resto, conservadorismo pop, realismo marqueteiro e quase nenhuma promessa é a impressão que fica nas minhas retinas fatigadas. Mas sempre há chance de que a fadiga preceda a impressão.
Alcir Pécora é professor livre-docente de teoria e crítica literária e atual diretor do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp