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Terra Blog

Arquivo de: Junho 2007, 29

29.06.07

Uma dedicatória especial

Ainda na linha homenagem ao grande poeta Bruno Tolentino, gostria de apresentar uma dedicatória que ele escreveu para mim, em sua casa, após comentários sobre poemas que tinha deixado para sua avaliação. É com muito orgulho que a guardo: 

Está escrito: Para Eduardo Gama, poeta de quem espero (na expressão de Murilo Mendes) 'a reta, veloz' Roma-São Paulo 2004

O poeta escreveu isto porque, contou-me ele, encontrara-se, em 1964, com Murilo Mendes e pediu-lhe uma dedicatória. Murilo escreveu "poeta de quem espero 'a reta, veloz'". Quarenta anos depois, pensou Tolentino, valia retomar aquela dedicatória.

  • criado por  Eduardo Gama criado por Eduardo Gama
  • Postado em 13:11:55

Poema em homenagem a Bruno Tolentino

Há mais de um ano, escrevi um poema homenageando a obra de Bruno Tolentino. Para minha satisfação, o poeta pôde lê-lo:

Legado

As lições de trevas são raras
aos pobres mortais, Tolentino.
Cabe, poeta, talvez ao gênio
escorregar, não do destino,
mas de Deus (sabes mais que eu)
e mergulhar no precipício.

Voltar, eterno Prometeu
ou filho mais velho de Sísifo,
triturado, a salvo com Deus
não como parte de um castigo,
mas remir os pecados – seus
e do mundo, cúmplice amigo.

O que é isso
senão a bordadeira,
antiga Penélope
ansiando o regresso
do seu Ulisses,
Ou, como dizes,

o Cristo?

Isso é teu
E a tua freira.
E nós com isso?
Pergunto e respondo:
Viveste a fogueira
em busca do Paraíso

e, In Passim, lição de trevas,
espessas e tão dolorosas
que esse metro perto da fala
não pode almejar abarcá-la:
Observa-a cerimoniosa
sofrendo tentando imitá-la.

E do profundo
do fundo da treva do chão da cova,
(Manuel, minha cantiga é mais triste...)
as horas da Katharina
Não são minutos, mas séculos.
São a nossa história.

Mozart compôs um Réquiem
Para um tempo esnobe e orgulhoso
- era da idéia, acho que dirias-,
tu, que tens a maestria do verso,
orquestraste o nosso Réquiem,
As Horas de Katharina.

Funeral feito,
obra cumprida,
poesia vivida.
Restava o novo século
e outra luta severa
para ser vencida.

Mundo pós-moderno, que seja,
porém, nada novo o controle
da arte e vida pelo sistema.
Novo mundo, teorias velhas:
a saga do homem perdido
nesse oco mundo como idéia. 
 

  • criado por  Eduardo Gama criado por Eduardo Gama
  • Postado em 13:07:30