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Arquivo de: Abril 2007

26.04.07

Cristãos em Hollywood

Entrevista ao professor Armando Fumagalli

MILÃO, quarta-feira, 25 de abril de 2007 (ZENIT.org).- O que os cristãos fazem em Hollywood? É o que explica um livro com testemunhos e reflexões provenientes da «capital» do cinema.

Publicado primeiro em inglês e agora em italiano, «Cristiani a Hollywood», de Spencer Lewerenz e Bárbara Nicolosi (Edizioni Ares), mostra como se vive a fé no competitivo e duro mundo do cinema.

Zenit entrevistou Armando Fumagalli -- responsável da edição italiana do volume --, para quem «o cristão, como qualquer outro profissional, deve ter a humildade e a paciência de aprender dos melhores» e buscar os níveis de excelência que superem a «boa vontade», também no cinema.

--O que os cristãos fazem em Hollywood? Contribuem para melhorar os níveis cinematográficos?

--Fumagalli: Eu diria que antes de perguntar-se se contribuem para melhorar os níveis, deve-se dizer que atualmente os cristãos praticantes e convencidos em primeiro lugar são poucos.

Falamos de Hollywood porque os produtos que nascem lá vão a todo o mundo. Mas a presença de cristãos no cinema europeu é ainda mais escassa que em Hollywood.

Logo, como sempre, entre os cristãos estão aqueles mais ou menos capazes, mais ou menos preparados, etc. Mas a questão interessante é, por uma parte, como é que nas últimas décadas houve tão poucos?

E ainda mais interessante, como Bárbara Nicolosi fez, é tentar fazer que pessoas de fé se preparem seriamente, com níveis profissionais muito altos, para poder trabalhar neste ambiente tão competitivo e exigente, para levar uma voz a mais ao diálogo entre as diversas culturas e as diferentes visões do mundo que existem no cinema e na televisão.

Não basta ter boas intenções; é preciso ser excelentes profissionais. Também para mim, como para Bárbara Nicolosi, acontece com certa freqüência ler obras para o cinema escritas com as melhores intenções, mas com um nível profissional ainda muito baixo.

Os cristãos, como qualquer outro profissional, devem ter a humildade e a paciência de aprender dos melhores.

--Há muita diferença na indústria do cinema entre os católicos e os cristãos de outras denominações?

--Fumagalli: Um dos aspectos que me impressionou mais, quando li o livro na versão americana, é o sentido de espontânea unidade entre os cristãos de diversas denominações e confissões que trabalham na indústria cinematográfica.

Frente a um mundo distante a Deus, ao qual se pretende devolver uma dimensão espiritual e uma esperança ultraterrena, as diferenças de confissão cristã desaparecem naturalmente. O livro me pareceu imediatamente também um belíssimo exemplo de ecumenismo «vivido».

Mas devo dizer também que -- nos ensaios dos autores protestantes -- se adverte a falta de referências doutrinais seguras sobre algumas questões éticas importantes: não têm um magistério oficial, ou ao menos não o têm com uma clareza como a dos católicos.

Senti uma grande compaixão por pessoas que tão seriamente e com tão grande motivação querem fazer o bem. E mais uma vez voltei a considerar o grande tesouro que nós, católicos, temos na guia do Magistério.

--Por que os Estados Unidos, país «profundamente religioso», como você diz no livro, nos oferece tantos filmes de sangue e violência?

--Fumagalli: Em parte é uma questão que depende de sua cultura. Trata-se de um país civilizado há poucos séculos, e durante muitas décadas de sua história foi uma espécie de terra de ninguém, na qual a lei do mais forte era com freqüência a que prevalecia.

Não devemos deixar-nos fascinar pela imagem idílica com freqüência transmitida também pelo cinema. Nos anos 60, em alguns Estados da União, ainda se toleravam os linchamentos de negros, por exemplo.

A fé cristã (mas também o cinema, estou certo) foi e será um elemento de educação e de transformação para com uma sociedade menos violenta.

Esta cultura rude em parte se refletia ainda hoje no cinema americano, que tolera mais a violência que o cinema europeu.

Mas não se deve esquecer que, enquanto com freqüência o cinema europeu é de raiz niilista e atéia, no cinema americano restam ainda -- ao menos em alguns filmes cada ano -- de forma significativa, flashes de espiritualidade, e com muita freqüência -- ao menos desde o ponto de vista humano -- as soluções que se dão aos dilemas das personagens estão arraigadas em uma antropologia equilibrada e humanista, que conserva fortes elementos de suas raízes judeu-cristãs.

Penso não só nos filmes de inspiração inclusive indiretamente religiosa, como «O senhor dos anéis» ou «As crônicas de Nárnia», mas também em filmes como «O show de Truman», «Mensagem para você», «Homem de família», «Mestre dos Mares: O Lado Mais Distante do Mundo», «Hitch - Conselheiro Amoroso», «Luta pela esperança», «A intérprete» e muito mais.

Por citar exemplo, que é muito querido: todos os filmes de «Pixar» («Toy Story», «Nemo», «Os incríveis», «Carros», etc) são casos muito interessantes de filmes de enorme êxito e com conteúdos humanos excelentes.

--Por que acusamos Hollywood de ser responsável por nossos males cotidianos?

--Fumagalli: Por um lado, porque é verdade que o cinema e os seriados de televisão, que são os produtos audiovisuais mais difundidos em todo o mundo, têm muita importância para apresentar e difundir modelos de vida; por outro, contudo, não podemos esquecer que é responsabilidade de todos conseguir que este ambiente profissional que tem tão ampla ressonância em todo o mundo seja objeto da oração e também do empenho trabalhista direto, de homens e mulheres que se preocupem pela pessoa e por seu destino eterno.

Assim, não basta culpar Hollywood por nossos males: cada um deve se perguntar se pode fazer algo para melhorar a situação.

  • criado por  Eduardo Gama criado por Eduardo Gama
  • Postado em 09:44:02

11.04.07

Grandes nomes da história: Sólon

Em Paidéia, Werner Jaeger afirma sobre Sólon:

Em vez de se limitar a soltar resignados lamentos sobre o destino do homem e a sua inexorabilidade, como os líricos jônicos do seu tempo, que com não menos profundidade sentiram o problema da dor no mundo, Sólon dirige aos homens um apelo para ganharem consciência da responsabilidade na ação, e com a sua conduta política e moral oferece um modelo deste tipo de ação, vigoroso testemunho da inesgotável força vital e da seriedade ética do caráter ático. (p. 182, 2003) 


Breve Biografia    

Governador de Atenas, nascido nesta cidade, histórico como legislador e como fundador da democracia e considerado um dos sete sábios da Grécia. De origem nobre, mas de família empobrecida, dedicou-se na mocidade ao comércio, mas ganhou notoriedade ao liderar os atenienses (600 a. C.), na tomada da ilha de Salamina, que se encontrava sob o domínio de Mégara. Nesta época Atenas era dominada por uma aristocracia hereditária, cujos integrantes recebiam o nome de eupátridas, que possuíam as melhores terras e monopolizavam o poder e o sistema imperante se baseava no critério de riqueza. Isto gerava violentas lutas políticas, pois os demais cidadãos eram privados de qualquer direito, se tornavam devedores dos eupátridas e chegavam a hipotecar não só seus bens, mas a si próprios para saldarem as dívidas.

     Assumindo o poder absoluto (594 a. C.) o governador anistiou as dívidas dos camponeses, proibiu a escravidão por dívida, aboliu a hipoteca sobre pessoas e bens, libertou os pequenos proprietários que se encontravam escravizados, e impôs limites à extensão das propriedades agrárias, diminuindo os poderes e arbitrariedades da nobreza. Reestruturou as instituições políticas, deu direito de voto aos trabalhadores livres sem bens e codificou o direito e promulgou uma legislação especial sobre o uso de águas de fontes públicas (594 a. C.). Implantou reformas políticas e regulamentou o exercício do poder nas diversas categorias sociais.

     Criou um conselho de 400 membros, instituiu o tribunal popular e quebrou o monopólio dos eupátridas sobre os cargos de alta magistratura. O povo foi dividido em quatro classes, de acordo com o montante de imposto pago, com direito de voto. A última classe, os tetas, era isenta de impostos e tinha participação, embora restrita, na assembléia e tribunal populares. Essas medidas de resguardo da liberdade individual ficaram impressas na história democrática de Atenas, criando os fundamentos político-jurídicos que permitiram o advento da famosa democracia ateniense após a tirania dos psistrátidas.

     Seus decretos eram veiculados em brilhantes poemas, verdadeiros documentos históricos, dos quais restam poucos fragmentos. Guiava-se pelo interesse coletivo onde a religião e a moral mostravam-se no respeito a cada homem e pela lealdade para com o estado. (fonte: http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/Solon000.html)

Poema de Sólon

A nossa cidade nunca perecerá segundo a lei
de Zeus e a vontade dos bem-aventurados deuses imortais.
Pois esta tal, a protetora magnânima, a de pai robusto,
Palas Athena, mantem suas mãos sobre ela.
Os próprios cidadãos, arruinar a grande cidade com imprudências
querem, persuadidos pelas riquezas;
e é injusto o pensamento dos líderes do povo, aos quais é eminente,
por causa do grande excesso, muitas dores sofrer.
Não sabem conter a saciedade, nem ordenar
os prazeres presentes na paz do banquete
..........................................................................
se enriquecem, persuadidos por atos injustos
..........................................................................
nem os bens sagrados, nem os bens públicos
não poupando, roubam com avidez um aqui, outro ali.
Não conservam os alicerces veneráveis da Justiça,
que, em silêncio, conhece o presente e o passado,
e completamente vem estendendo-se no tempo.
Esta ferida inevitável já chega para toda a cidade
e rapidamente chegou contra a má escravidão.
Ela desperta a sedição civil e a guerra adormecida,
que de muitos destrói a amável juventude.
Por causa dos inimigos logo a multi-amada cidade
é arruinada pelas reuniões dos que são injustos com os amigos.
Estes males residem no povo: dentre os indigentes
muitos vão para uma terra estrangeira
vendidos e atados por vergonhosos elos
...............................................................
assim o mal público vai para a casa de cada um
e os portões do pátio não mais o querem deter,
sobre a alta muralha pula e descobre totalmente,
mesmo se alguém fugindo estiver no meio do tálamo.
Estas coisas ensinar aos Athenienses o coração me ordena,
como muitos males à cidade a Disnomia oferece.
A Eunomia tudo bem ordenado e justo revela,
e muitas vezes põe grilhões nos injustos;
as rudezas alisa, faz cessar a saciedade, atenua os excessos,
resseca as flores nascidas da loucura,
corrige as justiças tortuosas e ameniza os atos
arrogantes; faz cessar os atos da dissenção,
faz cessar a ira da terrível discórdia e estão sobre a influência dela
todas as coisas dos homens ajustadas e prudentes.

trad. Celina F. Lage

(http://br.geocities.com/bibliotecaclassica/textos/solon

  • criado por  Eduardo Gama criado por Eduardo Gama
  • Postado em 21:41:05

10.04.07

Uma decisão inteligente

Após requerimento do pai, justiça autoriza adolescente a trabalhar
Várzea Grande, 09/04/2007 - 14:21.

Da Redação

O pai de um adolescente de Nobres recorreu à Justiça a fim de obter autorização para que seu filho adolescente trabalhe. Reginaldo Ferreira dos Santos requereu autorização para que o filho, de 16 anos, pudesse trabalhar na empresa Usical-Itabranca, como ajudante de serviços gerais. A carga horária de trabalho seria de uma às cinco da tarde.

O rapaz está matriculado no primeiro ano do ensino médio, em uma escola estadual na cidade. Apesar do parecer do Ministério Público ter sido desfavorável, a juíza Glenda Moreira Borges, concedeu a autorização. A decisão é do dia quatro de abril.

Ao analisar o caso concreto, a magistrada destacou a preocupação do pai com o futuro do filho e argumentou que uma ocupação que respeite a condição de “pessoa em desenvolvimento” (conforme o ECA, artigo 69, I) vai servir para moldar o caráter e a personalidade do rapaz.

A juíza lembrou ainda em sua decisão que “não existem programas governamentais suficientes para o atendimento da grande demanda de adolescentes, tampouco atividades que evitem o ócio dos chamados “futuro do país”, sobretudo nas cidades interioranas, fazendo com que muitos deles se entreguem à prática de pequenos delitos, levados pelas más companhias, conhecidas justamente nos momentos de desocupação.” Com isso, a magistrada afirmou que não pode aplicar a ‘letra fria e morta da norma legal’ e negar a chance de um adolescente buscar um futuro profissional.
(...)
  • criado por  Eduardo Gama criado por Eduardo Gama
  • Postado em 21:16:14

03.04.07

Poetas gregos e latinos

No seguinte endereço,

http://br.geocities.com/bibliotecaclassica/

é possível encontrar alguns poemas de gregos e latinos, desde o século VII a.C. Nem tudo de bom gosto, nem tudo de mau gosto, mas, aos interessados, vale a visita.

  • criado por  Eduardo Gama criado por Eduardo Gama
  • Postado em 22:11:29