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No domingo, o professor de filosofia e de ciências da religião, Luiz Felipe Pondé, concedeu uma entrevista ao Jornal O Estado De São Paulo. O tema abordado foi a exortação apostólica Sacramentum Caritatis, publicado recentemente pelo papa Bento XVI.
O professor realizou uma ótima entrevista, pois não quis colocar na boca do Papa palavras que este não proferiu, mas "limitou-se" a compreender o pensamento do Pontífice. Ora, uma das grandes dificuldades atuais, quando se trata do debate de idéias, é compreender quem fala. Parece haver,a tualmente, uma conversa de surdos na qual só interessa a polêmica, palvra da moda. Interessa é ver "o circo pegar fogo", mas não o conhecimento e a verdade.
Nesse sentido, sao curiosas algumas reações causadas pela entrevista de Pondé. O Estado publica diaramente cartas de leitores. Ontem, havia algumas favorávei, hoje, indecisas e contrárias, sendo que uma faz um trocadilho infeliz com o nome do filósofo (Pondé, imponderado), como se ele fosse o autor da exortação apostólica. Mas a "culpa" pelo fato - no caso a leitora reclamva sobre a posição do papa sobre o divórcio - nem é do filósofo nem do Papa, mas de quem este último segue, Cristo.
Afinal, esta escrito no Evangelho, claramente, que a união matrimonial é indissolúvel: "Eu, porém, digo-vos: Todo o que se desquitar da sua mulher, exceto no caso de união ilegítima, faz com que venha a ser adúltera, e quem se casar com uma repudiada comete adultério" (Mt, 5, 31-32). Palavras mais fortes das que as utilizadas pelo Papa.
Caso a Igreja se julgue, como de fato o é, seguidora de Cristo, nada mais óbvio que siga os preceitos evangélicos. Curiosamente, quando não os segue, é criticada duramente. Quer dizer, tudo depende da conveniência...
Parece-me que, hoje em dia, as pessoas tendem a achar que a Igreja tem o dever de adapatar a sua doutrina ao estilo de vida delas, quando é o contrário. Todo cristão sabe que a conversão implica uma mudança de vida. No livro Introdução ao Cristianismo, o então Cardeal Ratzinger afirma que o cristão "não deve ficar satisfeto em descobrir que, recorrendo a uma série de rodeios e subterfúgios ainda é possível encontrar uma interpretação do crsitianismo que não incomode ninguém" (p.43).
Finalizando, no mesmo livro, Ratzinger escreve: "A fé cristã corresponde à opção que coloca o aceitar antes do fazer, o que não significa absolutamente que o fazer seja menosprezado ou até declarado supérfluo (...)".