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Masoquista, anti-semita, radical são algumas das poucas ofensas que foram dirigidas a Mel Gibson, diretor de Apocalypto. Muitos críticos não o perdoaram por ter feito um filme narrando as últimas horas de Cristo. Por isso, em vez de apontar os defeitos do seu novo filme, ofendem o diretor. Bela atitude para uma crítica que pretende ser séria...
Apocalypto, diga-se já, é um bom filme, alíás, muito bom. Não é excelente por alguns motivos que diremos a seguir, mas está longe de ser ruim ou fraco, como jornais e revistas o qualificaram. Rodar um filme em dialeto maia nas florestas do México já seria um ponto a ser destacado, visto que as cenas ganham em realismo e o espectador pode se sentir participante da ação. Além disso, a primeira hora do filme, que tem no total mais de duas horas, é espetacular. Gibson conta a história de uma pequena tribo que tem a sua pacata existência conturbada, melhor, violentada, por guerreiros maias. Alguns dos sobreviventes são feitos prisioneiros e levados para o centro do império maia para serem sacrificados. Entre eles, está Jaguar Paw, que conseguiu esconder o filho e a mulher grávida em um buraco antes que guerreiros maias acabassem com a sua tribo. Ele tentará fazer de tudo para voltar às suas origens e salvar seus familiares.
A pequena sinopse terminou com um "tentará fazer de tudo" porque é esse o estilo que o filme assume na segunda parte. Para quem assistiu outros filmes do diretor, sabe a que me refiro: um contra todos e todos contra um, em uma caçada implacável. Aí está, acredito, um dos defeitos do filme, pouco comentado pela crítica. Quando Jaguar e seus companheiros chegam ao império maia para serem sacrificados, o espectador espera que seja mostrado a causa da falência daquele suntuoso império, mas isso não acontece. Sabe-se nas entrelinhas que aquela civilização está em decadência, o que é pouco. Além disso, há cenas de extrema violência, algumas desnecessárias, embora o assunto do filme seja, de certa forma, a violência humana.
Alguns momentos de reflexão valem o destaque: a questão do medo, que pode ser interpretada em um sentido existencial e a lenda contada pelo pajé, narrando o vazio que os homens levam no coração são bastante interessantes. Novamente Gibson faz um filme com poucos diálogos, muita ação e com a câmera voltada para o rosto dos atores, mais precisamente no olhar dos personagens. Como sabemos, é pelo olhar que se conhece uma pessoa. Essa é a pretensão de Gibson: conhecer o homem em situações limite. A Paixão de Cristo é um trabalho maior, mas Apocalypto é um bom filme com alguns grandes momentos.