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Trecho do livro Tratado de simbólica, de Mário Ferreira dos Santos. Saiba mais sobre o autor em www.marioferreira.com.br
Na antiga Grécia, quando um senhor recebia a visita de um hóspede, como sinal de afeição, costumava dar-lhe um objeto que servisse de sinal de reconhecimento. Era comum, entre os amigos, partirem uma moeda pelo meio, cabendo uma parte a cada um, que servia como um sinal de amizade.
Costumava-se também usar desse meio para reconhecer pessoas, depois de uma longa separação. Usavam sinais os pais, quando tinham de separar-se de seus filhos por longo tempo.
A tais meios, que serviam de sinais, davam os gregos o nome genérico de symbolon. Todo o sinal convencionado tomava o nome genérico de símbolo, como também as insígnias dos deuses, os emblemas, os presságios, augúrios e, inclusive, as convenções internacionais e comerciais que se faziam na época.
A palavra símbolo, symbolon, neutro, vem de symbolê, que significa aproximação, ajustamento, encaixamento, cuja origem etimológica é indicada pelo prefixo syn, com, e bole, donde vem o nosso termo bola, roda, círculo. Referia-se, deste modo, à moeda usada como sinal.
Desde logo se vê que os gregos usavam o termo símbolo num sentido amplíssimo, abrangendo todo o campo do que chamamos propriamente de sinal, isto é, o que aponta, convencionalmente ou não, a um outro, que é referido por aquele. Podemos, no entanto, captar uma formalidade que pertence univocamente a todos os símbolos e sinais: a referência a um outro, em suma, o apresentar-se em lugar de outro.(p.15)
Podemos partir deste enunciado simples, ainda insuficiente, que símbolo é alguma coisa que está em lugar de...
A palavra, em sua origem grega, também significa substituição, e o símbolo é algo que substitui. Todo símbolo, portanto, revela uma referência a um outro. (p.16)