Em Foco

Blog de atualidades, cultura.

Em Foco

Blog de atualidades, cultura.
<  Janeiro 2007  >
S T Q Q S S D
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 31        
Buscar
Terra Blog

Arquivo de: Janeiro 2007

31.01.07

A origem do termo símbolo

Trecho do livro Tratado de simbólica, de Mário Ferreira dos Santos. Saiba mais sobre o autor em www.marioferreira.com.br

Na antiga Grécia, quando um senhor recebia a visita de um hóspede, como sinal de afeição, costumava dar-lhe um objeto que servisse de sinal de reconhecimento. Era comum, entre os amigos, partirem uma moeda pelo meio, cabendo uma parte a cada um, que servia como um sinal de amizade.

Costumava-se também usar desse meio para reconhecer pessoas, depois de uma longa separação. Usavam sinais os pais, quando tinham de separar-se de seus filhos por longo tempo.

A tais meios, que serviam de sinais, davam os gregos o nome genérico de symbolon. Todo o sinal convencionado tomava o nome genérico de símbolo, como também as insígnias dos deuses, os emblemas, os presságios, augúrios e, inclusive, as convenções internacionais e comerciais que se faziam na época.

A palavra símbolo, symbolon, neutro, vem de symbolê, que significa aproximação, ajustamento, encaixamento, cuja origem etimológica é indicada pelo prefixo syn, com, e bole, donde vem o nosso termo bola, roda, círculo. Referia-se, deste modo, à moeda usada como sinal.

Desde logo se vê que os gregos usavam o termo símbolo num sentido amplíssimo, abrangendo todo o campo do que chamamos propriamente de sinal, isto é, o que aponta, convencionalmente ou não, a um outro, que é referido por aquele. Podemos, no entanto, captar uma formalidade que pertence univocamente a todos os símbolos e sinais: a referência a um outro, em suma, o apresentar-se em lugar de outro.(p.15)

Podemos partir deste enunciado simples, ainda insuficiente, que símbolo é alguma coisa que está em lugar de...

A palavra, em sua origem grega, também significa substituição, e o símbolo é algo que substitui. Todo símbolo, portanto, revela uma referência a um outro. (p.16)

  • criado por  Eduardo Gama criado por Eduardo Gama
  • Postado em 11:04:07

29.01.07

A imagem poética segundo Octavio Paz

por Eduardo Gama.

A imagem como recriação do real

Para explicar o que pensa sobre a imagem, Paz recorre à filosofia oriental. Como sabemos, Paz viveu alguns anos na Índia e travou contato com as religiões orientais. Poderia ser um mero fato biográfico, caso não influenciasse de forma tão direta a sua teoria da poesia. O poeta recorre a conceitos da filosofia oriental para explicar as reflexões sobre poesia porque parte de bases ontológicas, isto é, de uma concepção de ser.

Paz afirma que a imagem não é compreendida pelos ocidentais porque é um desafio à lógica: “La imagen resulta escandalosa porque desafia el principio de contradicción: lo pesado es lo ligero. Al enunciar la identidad de los contrarios, atenta contra los fundamentos de nuestro pensar”, e conclui afirmando a impossibilidade, em última estância, do realismo na poesia: “la realidad poética de la imagen no puede aspirar a la verdad. El poema no dice lo que es, sino o que podría ser. Su reino no es el del ser, sino del ‘imposible verosímil’ de Aristóteles.” Nega o realismo na poesia porque esse modo de filosofar diz ser possível adequar o pensamento às coisas do mundo. As coisas existem e eu posso pensá-las, formando conceitos. Foi essa a contribuição de Parmênides para a filosofia: “A partir deste momento ficam assim, por vinte séculos, colocadas as bases da filosofia ocidental”

Pois é este base que Paz não concorda. Diz ser preciso um retorno a Parmênides e fazer-se outra vez a mesma pergunta feita pelo filósofo grego: que é o ser. Porém, sem cair no que chama de equívoco: “(...) la historia de Occidente puede verse como la historia de un error, un extravio, en el doble sentido de la palabra: no hemos alejado de nosotros mismos al perdernos em el mundo. Hay que empezar de nuevo.”

O poeta propõe nada menos que a negação de toda a filosofia ocidental. O que pretende colocar em seu lugar? A filosofia oriental, pois essa, afirma, não sofreu desse mesmo suposto erro. No oriente, a coisa é o que eu sou, não um outro. Paz diz que enquanto o ocidental afirma a diferença entre o eu e o objeto, o oriental destaca a identidade entre eu e coisa, entre ser e mundo.

Por que Paz adota essa posição? Porque, segundo ele, somente a filosofia oriental é capaz de promover a reconciliação entre eu e mundo, entre pessoa e coisa. Apesar das doutrinas zen budista e a de Chuang-tsé afirmarem a impossibilidade de comunicação da verdade, Paz diz que esse fato não impossibilita a poesia, antes a propõe como modo de conhecimento, ou melhor de integração: “Gracias a las imágenes poéticas el pensamiento taoísta, hindu y budista resulta comprensible.”

A função da imagem na poesia, portanto, não deve ser a representação do real, mas a própria realidade, a sua apresentação. Nesse ponto Paz se afasta definitivamente da tradição realista, como a de Vitorino Nemésio, que diz a respeito da imagem: “O que a metafísica explica predominantemente em construções regidas pelo conceito e pelo juízo, a poesia implica geralmente em representações alegóricas e simbólicas. A realidade é poeticamente posta, por assim dizer, entre parêntesis de imagens e de metáforas entretecidas coma representação verbal concreta dos seres e das coisas, flutuando portanto entre o sentido comum e o simbólico, a evidência e a visão, o manifesto e o oculto.”

Na relação entre poesia e realidade encontramos o cerne do pensamento poético de Paz: “El poema trasciende el lenguaje. Queda ahora explicado lo que dije al comenzar este libro: el poema es lenguaje – y lenguaje antes de ser sometido a la mutilación de la prosa o la conversación -, pero és algo mais también. Y ese algo más es inexplicable por el lenguaje, aunque solo puede ser alcanzado por él. Nacido de la palabra, el poema desemboca en algo que la traspassa.”

Por fim, conclui afirmando que o objetivo da poesia não é a representação do real, mas a sua recriação. Por meio da imagem o poeta insere-se na realidade, a penetra, não a representa. O poeta, portanto, “crea realidades dueñas de una verdad: las de su propria existência.”

 

Conclusão

O que pode ser concluído pensamento de Paz sobre a imagem é que, em primeiro lugar, um poema é inexplicável. Qualquer conceito interfere negativamente na intenção do poeta, pois a imagem é o que é. Se o poema é inexplicável, a conclusão é que seria restrito a um pequeno grupo capaz não de entender o poema, mas a “revelação” (palavra do próprio autor) trazida pelo poeta. É o que parece afirmar em páginas posteriores não contempladas por esse estudo, quando afirma que “poesía y religión son revelación. O poeta, portanto, seria o demiurgo do Romantismo?

Outra questão que precisaria de uma análise mais acurada é: no capítulo El lenguaje, Paz afirma que uma sociedade na qual as palavras se corrompem e os significados são incertos, o sentido dos nossos atos e obras são inseguros. Mas, se o discurso é incapaz de sequer se aproximar da realidade, como é possível esperar algum entendimento? E mais: se o poeta não tem como objetivo representar a realidade, tampouco a poesia poderia resolver esse problema, visto que revela uma verdade não explicável, apenas inteligível.


  • criado por  Eduardo Gama criado por Eduardo Gama
  • Postado em 11:55:34

26.01.07

Chávez e a democracia totalitária

Nesta segunda-feira, 22 de janeiro, o jornal O Estado de São Paulo publicou um artigo do professor de filosofia da UFRGS, Denis Lerrer Rosenfield. O professor argumenta que Chávez não é mais um populista latino-americano, mas um líder com vocação totalitária. Vejamos alguns dos principais trechos do ensaio:

 

“A América Latina está adotando um rumo nitidamente esquerdista, com posições que retomam as experiências socialistas autoritárias e totalitárias do século XX. A única novidade consiste no ressurgimento da tentação totalitária, nada tendo que ver com o que alguns chamam de resgate da utopia.” (...)

“Chávez, por exemplo, está claramente eliminando a democracia por intermédio

1) da submissão do judiciário

 2) do Parlamento, que se torna órgão auxiliar do Executivo, pois o ditador-presidente passará a legislar por decreto, unido a função executiva com a legislativa – ele é ungido à posição de um senhor que tudo sabe, não precisando consultar ninguém

3) do fechamento de uma rede de televisão, anunciando o que fará com a liberdade de imprensa

4) de assegurar a sua vitaliciedade no poder mediante o mecanismo da reeleição indefinida, assumindo a posição que era a dos secretários dos ex-partidos comunistas no poder, como Stalin, Mao ou Fidel

5) da criação de um partido único de esquerda, prenúncio de um único partido futuro.    

  • criado por  Eduardo Gama criado por Eduardo Gama
  • Postado em 16:34:33

18.01.07

Minha coluna no Portal da Família

Foi publicado um novo artigo de minha autoria no site Portal da Família:

O hotel dos vícios e das virtudes, na Coluna "Poemas e Canções"
http://www.portaldafamilia.org/artigos/artigo518.shtml

 

  • criado por  Eduardo Gama criado por Eduardo Gama
  • Postado em 10:45:50

Concurso Literário de BH

REGULAMENTO DO CONCURSO NACIONAL DE LITERATURA CIDADE DE BELO HORIZONTE - EDIÇÃO 2006
O Município de Belo Horizonte, por intermédio da Fundação Municipal de Cultura, torna público, para conhecimento dos interessados, a abertura das inscrições para o Concurso de Literatura Cidade de Belo Horizonte, edição 2006, nos seguintes termos:

1 - DO OBJETIVO

O Concurso de Literatura Cidade de Belo Horizonte, instituído pelo Decreto nº 204/47, promovido pelo Município de Belo Horizonte e coordenado pela Fundação Municipal de Cultura, tem como finalidade distinguir obras inéditas, em língua portuguesa, de autores brasileiros natos ou naturalizados, nas categorias Ensaio, Dramaturgia e Poesia - Autor Estreante.

2 - DAS INSCRIÇÕES

2.1 - As inscrições são gratuitas e estarão abertas no período de 18 de dezembro de 2006 a 02 de março de 2007, de segunda a sexta-feira, exceto feriados, no horário de 9 às 17 horas, e poderão ser feitas diretamente na Fundação Municipal Cultura, situada na Rua Sapucaí n° 571, Bairro Floresta, CEP 30150-050, Belo Horizonte, Minas Gerais, ou enviadas pelo Correio, via sedex ou carta registrada com AR, ao endereço acima especificado, identificadas pelo nome do Concurso e da categoria a que concorre.
2.2 - As inscrições feitas pelo Correio só serão consideradas válidas e aceitas se postadas até o último dia de inscrição, valendo como comprovante o carimbo da agência postal expedidora.
2.3 - A Comissão Organizadora do Concurso não retirará originais em agências dos Correios, transportadoras ou similares.
2.4 - Não serão aceitas inscrições feitas fora do prazo ou enviadas por fax, internet ou similares.
2.5 - Efetivada a inscrição, não poderão ser feitas quaisquer alterações nas obras e documentos.

3 - DAS CONDIÇÕES DE PARTICIPAÇÃO

3.1 - Poderão se inscrever autores brasileiros natos ou naturalizados.
3.2 - É vedada a participação de funcionários vinculados à Administração Direta do Poder Executivo do Município de Belo Horizonte ou à Fundação Municipal de Cultura.
3.3 - Os autores interessados poderão inscrever apenas uma obra em cada categoria, utilizando pseudônimos diferentes para cada categoria.
3.4 - Os autores menores de 18 (dezoito) anos deverão apresentar autorização escrita dos pais ou responsáveis legais, salvo aqueles emancipados na forma da lei.
3.5 - É vedada a participação neste Concurso de autores que tenham sido premiados em uma de suas duas últimas edições na mesma categoria a que pretendem concorrer.
3.6 - Para a categoria Poesia - Autor Estreante, o autor não poderá ter publicado ou divulgado, por qualquer meio, no todo ou em parte, obra de literatura de qualquer gênero, devendo apresentar declaração nesse sentido.
3.7 - Os documentos e originais das obras não serão devolvidos.
3.8 - É de responsabilidade exclusiva do autor a observância e regularização de toda e qualquer questão relativa a direitos autorais e demais disposições deste Regulamento.

4 - DAS OBRAS E DOCUMENTOS

4.1 - As obras devem, obrigatoriamente, ser inéditas e escritas em língua portuguesa, ficando automaticamente eliminadas, em qualquer etapa do Concurso, aquelas já publicadas ou divulgadas por qualquer meio, no todo ou em parte.
4.2 - As obras deverão ser encaminhadas, obrigatoriamente, sob pseudônimos, não podendo conter, nos originais e nos envelopes, nada que identifique os autores.
4.3 - As obras deverão ser digitadas em papel tamanho A4, em apenas uma das faces do papel, corpo 12, fonte Times New Roman, com espaço simples.
4.4 - Da página de rosto de cada cópia deverão constar o nome do Concurso, o título da obra, o pseudônimo do autor e a categoria. As demais páginas deverão estar seqüencialmente numeradas.
4.5 - Cada obra deverá ser apresentada em 03 (três) vias encadernadas em espiral, não sendo aceitos exemplares grampeados. Tais vias deverão ser entregues em um só envelope, lacrado, indicando o nome do Concurso, o título da obra, o pseudônimo do autor e a categoria. Dentro desse mesmo envelope deverá ser entregue um envelope menor, lacrado, identificado da mesma forma, contendo em seu interior, nome, contatos, informações biobibliográficas do autor, cópia da carteira de identidade, autorização dos pais ou representantes legais, quando for o caso, e a declaração de que trata o item 3.6 deste Regulamento, para os participantes da categoria Poesia - Autor Estreante.
4.6 - Para as categorias Dramaturgia e Poesia - Autor Estreante, não há limites de página.
4.7 - Para a categoria Ensaio, a obra inscrita deverá ter o mínimo de 50 (cinqüenta) páginas, abordando o tema "BELO HORIZONTE: sua história, bairros e personagens".

5 - DA PREMIAÇÃO

5.1 - Para a melhor obra da categoria Ensaio e para a melhor obra da categoria Dramaturgia, será concedido um prêmio de R$20.000,00 (vinte mil reais), sujeitos à tributação prevista em lei.
5.2 - Para a melhor obra da categoria Poesia - Autor Estreante, será concedido um prêmio de R$5.000,00 (cinco mil reais), sujeitos à tributação prevista em lei.
5.3 - As Comissões Julgadoras indicarão também duas obras de cada uma das categorias para receberem Menção Honrosa.
5.4 - As três obras de Dramaturgia participarão de um ciclo de leitura dramática em evento do primeiro Festival Internacional de Teatro que acontecer após a premiação.

6 - DO JULGAMENTO

6.1 - O julgamento será realizado por 03 (três) Comissões Julgadoras, compostas por 03 (três) profissionais, notoriamente reconhecidos em cada categoria, indicados pela Fundação Municipal de Cultura.
6.2 - As decisões das Comissões Julgadoras são soberanas e irrecorríveis.
6.3 - As Comissões poderão deixar de indicar um vencedor em uma ou todas as categorias, bem como as Menções Honrosas, desde que justifiquem sua decisão.
6.4 - Em caso de não concessão da premiação em qualquer das categorias, o prêmio não ficará acumulado.
6.5 - Os integrantes das Comissões Julgadoras poderão ser substituídos a qualquer tempo, em caso de impossibilidade de participação decorrente de caso fortuito ou força maior, por outros profissionais igualmente reconhecidos.

7 - DO RESULTADO

Os resultados deste Concurso serão publicados no Diário Oficial do Município de Belo Horizonte/DOM e no site www.pbh.gov.br/cultura no mês de setembro de 2007.

8 - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

8.1 - Caberá à Comissão Organizadora do Concurso receber as obras inscritas, conferir a documentação exigida, organizar todo o processo de distribuição das cópias das obras para os membros das Comissões Julgadoras, providenciar a divulgação do resultado do Concurso, solucionar quaisquer controvérsias ou pendências advindas da realização do Concurso, inclusive aquelas decorrentes de omissões deste Regulamento.
8.2 - Este Regulamento encontra-se à disposição dos interessados, na Fundação Municipal Cultura e no site www.pbh.gov.br/cultura.
8.3 - Informações complementares ou esclarecimentos poderão ser obtidos no período e horário das inscrições, na sede da Fundação Municipal Cultura, e pelo e-mail dilinf.fmc@pbh.gov.br, com o assunto "Concurso Literário".
8.4 - As inscrições implicam a plena aceitação, por parte do autor inscrito, do disposto neste Regulamento.
8.5 - Fica eleito o Foro da Comarca de Belo Horizonte, Minas Gerais, para dirimir quaisquer dúvidas ou controvérsias oriundas do presente Regulamento.
Belo Horizonte, 15 de dezembro de 2006

Fernando Damata Pimentel
Prefeito de Belo Horizonte
Maria Antonieta Antunes Cunha
Presidente da Fundação Municipal de Cultura
  • criado por  Eduardo Gama criado por Eduardo Gama
  • Postado em 10:39:19