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Trecho do livro Tratado de simbólica, de Mário Ferreira dos Santos. Saiba mais sobre o autor em www.marioferreira.com.br
Na antiga Grécia, quando um senhor recebia a visita de um hóspede, como sinal de afeição, costumava dar-lhe um objeto que servisse de sinal de reconhecimento. Era comum, entre os amigos, partirem uma moeda pelo meio, cabendo uma parte a cada um, que servia como um sinal de amizade.
Costumava-se também usar desse meio para reconhecer pessoas, depois de uma longa separação. Usavam sinais os pais, quando tinham de separar-se de seus filhos por longo tempo.
A tais meios, que serviam de sinais, davam os gregos o nome genérico de symbolon. Todo o sinal convencionado tomava o nome genérico de símbolo, como também as insígnias dos deuses, os emblemas, os presságios, augúrios e, inclusive, as convenções internacionais e comerciais que se faziam na época.
A palavra símbolo, symbolon, neutro, vem de symbolê, que significa aproximação, ajustamento, encaixamento, cuja origem etimológica é indicada pelo prefixo syn, com, e bole, donde vem o nosso termo bola, roda, círculo. Referia-se, deste modo, à moeda usada como sinal.
Desde logo se vê que os gregos usavam o termo símbolo num sentido amplíssimo, abrangendo todo o campo do que chamamos propriamente de sinal, isto é, o que aponta, convencionalmente ou não, a um outro, que é referido por aquele. Podemos, no entanto, captar uma formalidade que pertence univocamente a todos os símbolos e sinais: a referência a um outro, em suma, o apresentar-se em lugar de outro.(p.15)
Podemos partir deste enunciado simples, ainda insuficiente, que símbolo é alguma coisa que está em lugar de...
A palavra, em sua origem grega, também significa substituição, e o símbolo é algo que substitui. Todo símbolo, portanto, revela uma referência a um outro. (p.16)
por Eduardo Gama.
A imagem como recriação do real
Para explicar o que pensa sobre a imagem, Paz recorre à filosofia oriental. Como sabemos, Paz viveu alguns anos na Índia e travou contato com as religiões orientais. Poderia ser um mero fato biográfico, caso não influenciasse de forma tão direta a sua teoria da poesia. O poeta recorre a conceitos da filosofia oriental para explicar as reflexões sobre poesia porque parte de bases ontológicas, isto é, de uma concepção de ser.
Paz afirma que a imagem não é compreendida pelos ocidentais porque é um desafio à lógica: “La imagen resulta escandalosa porque desafia el principio de contradicción: lo pesado es lo ligero. Al enunciar la identidad de los contrarios, atenta contra los fundamentos de nuestro pensar”, e conclui afirmando a impossibilidade, em última estância, do realismo na poesia: “la realidad poética de la imagen no puede aspirar a la verdad. El poema no dice lo que es, sino o que podría ser. Su reino no es el del ser, sino del ‘imposible verosímil’ de Aristóteles.” Nega o realismo na poesia porque esse modo de filosofar diz ser possível adequar o pensamento às coisas do mundo. As coisas existem e eu posso pensá-las, formando conceitos. Foi essa a contribuição de Parmênides para a filosofia: “A partir deste momento ficam assim, por vinte séculos, colocadas as bases da filosofia ocidental”
Pois é este base que Paz não concorda. Diz ser preciso um retorno a Parmênides e fazer-se outra vez a mesma pergunta feita pelo filósofo grego: que é o ser. Porém, sem cair no que chama de equívoco: “(...) la historia de Occidente puede verse como la historia de un error, un extravio, en el doble sentido de la palabra: no hemos alejado de nosotros mismos al perdernos em el mundo. Hay que empezar de nuevo.”
O poeta propõe nada menos que a negação de toda a filosofia ocidental. O que pretende colocar em seu lugar? A filosofia oriental, pois essa, afirma, não sofreu desse mesmo suposto erro. No oriente, a coisa é o que eu sou, não um outro. Paz diz que enquanto o ocidental afirma a diferença entre o eu e o objeto, o oriental destaca a identidade entre eu e coisa, entre ser e mundo.
Por que Paz adota essa posição? Porque, segundo ele, somente a filosofia oriental é capaz de promover a reconciliação entre eu e mundo, entre pessoa e coisa. Apesar das doutrinas zen budista e a de Chuang-tsé afirmarem a impossibilidade de comunicação da verdade, Paz diz que esse fato não impossibilita a poesia, antes a propõe como modo de conhecimento, ou melhor de integração: “Gracias a las imágenes poéticas el pensamiento taoísta, hindu y budista resulta comprensible.”
A função da imagem na poesia, portanto, não deve ser a representação do real, mas a própria realidade, a sua apresentação. Nesse ponto Paz se afasta definitivamente da tradição realista, como a de Vitorino Nemésio, que diz a respeito da imagem: “O que a metafísica explica predominantemente em construções regidas pelo conceito e pelo juízo, a poesia implica geralmente em representações alegóricas e simbólicas. A realidade é poeticamente posta, por assim dizer, entre parêntesis de imagens e de metáforas entretecidas coma representação verbal concreta dos seres e das coisas, flutuando portanto entre o sentido comum e o simbólico, a evidência e a visão, o manifesto e o oculto.”
Na relação entre poesia e realidade encontramos o cerne do pensamento poético de Paz: “El poema trasciende el lenguaje. Queda ahora explicado lo que dije al comenzar este libro: el poema es lenguaje – y lenguaje antes de ser sometido a la mutilación de la prosa o la conversación -, pero és algo mais también. Y ese algo más es inexplicable por el lenguaje, aunque solo puede ser alcanzado por él. Nacido de la palabra, el poema desemboca en algo que la traspassa.”
Por fim, conclui afirmando que o objetivo da poesia não é a representação do real, mas a sua recriação. Por meio da imagem o poeta insere-se na realidade, a penetra, não a representa. O poeta, portanto, “crea realidades dueñas de una verdad: las de su propria existência.”
Conclusão
O que pode ser concluído pensamento de Paz sobre a imagem é que, em primeiro lugar, um poema é inexplicável. Qualquer conceito interfere negativamente na intenção do poeta, pois a imagem é o que é. Se o poema é inexplicável, a conclusão é que seria restrito a um pequeno grupo capaz não de entender o poema, mas a “revelação” (palavra do próprio autor) trazida pelo poeta. É o que parece afirmar em páginas posteriores não contempladas por esse estudo, quando afirma que “poesía y religión son revelación. O poeta, portanto, seria o demiurgo do Romantismo?
Outra questão que precisaria de uma análise mais acurada é: no capítulo El lenguaje, Paz afirma que uma sociedade na qual as palavras se corrompem e os significados são incertos, o sentido dos nossos atos e obras são inseguros. Mas, se o discurso é incapaz de sequer se aproximar da realidade, como é possível esperar algum entendimento? E mais: se o poeta não tem como objetivo representar a realidade, tampouco a poesia poderia resolver esse problema, visto que revela uma verdade não explicável, apenas inteligível.
Nesta segunda-feira, 22 de janeiro, o jornal O Estado de São Paulo publicou um artigo do professor de filosofia da UFRGS, Denis Lerrer Rosenfield. O professor argumenta que Chávez não é mais um populista latino-americano, mas um líder com vocação totalitária. Vejamos alguns dos principais trechos do ensaio:
“A América Latina está adotando um rumo nitidamente esquerdista, com posições que retomam as experiências socialistas autoritárias e totalitárias do século XX. A única novidade consiste no ressurgimento da tentação totalitária, nada tendo que ver com o que alguns chamam de resgate da utopia.” (...)
“Chávez, por exemplo, está claramente eliminando a democracia por intermédio
1) da submissão do judiciário
2) do Parlamento, que se torna órgão auxiliar do Executivo, pois o ditador-presidente passará a legislar por decreto, unido a função executiva com a legislativa – ele é ungido à posição de um senhor que tudo sabe, não precisando consultar ninguém
3) do fechamento de uma rede de televisão, anunciando o que fará com a liberdade de imprensa
4) de assegurar a sua vitaliciedade no poder mediante o mecanismo da reeleição indefinida, assumindo a posição que era a dos secretários dos ex-partidos comunistas no poder, como Stalin, Mao ou Fidel
5) da criação de um partido único de esquerda, prenúncio de um único partido futuro.
Foi publicado um novo artigo de minha autoria no site Portal da Família:
O hotel dos vícios e das virtudes, na Coluna "Poemas e Canções"
http://www.portaldafamilia.org/artigos/artigo518.shtml