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Se quiser enviar a sua lista, fique à vontade.
Lembrados na hora:
1- Sôbolos rios que vão... - Camões
2 - Tabacaria - Fernado Pessoa
3 - E agora, José - Carlos Drummond de Andrade
4 - A Virgem Maria - Manuel Bandeira
5 - Poema de Natal - Vinícius de Moraes
Se alguém quiser colaborar com a sua lista, fique à vontade. A minha é (salvo lapso), segundo o gosto, não segundo "a arte", visto que um livro infanto juvenil ocupa o quinto posto:
1 - Os Irmãos Karamázov - Dostoievski
2 - Dom Quixote- Cervantes
3 - Grande sertão: veredas - Guimarães Rosa
4 - Dom Casmurro - Machado de Assis
5 - Momo e o senhor do tempo - Michael Ende
Capítulo de um possível livro que talvez termine algum dia.
Capítulo I – O fim de uma era
O pior já passou. A frase pode parecer um otimismo vazio, porém, analisada em seu contexto, é uma grande esperança para os cristãos deste novo século. A maior crise que o cristianismo enfrentou, está encerrada. A última tentativa de impor o laicismo na vida cristã teve o seu fim.
Em primeiro lugar, é preciso definir o laicismo. Opõe-se a leigo que é todo o cristão que não é “membro de uma ordem ou do estado religioso reconhecido pela Igreja, isto é, todos os fiéis que, incorporados em Cristo pelo batismo, constituídos em povo de Deus e a seu modo feitos participantes da função sacerdotal, profética e régia de Cristo, exercem no seu âmbito a missão de todo o Povo cristão na igreja e no mundo” (LG 31) (n. 897) (em A fé explicada, pág. 141 – Ed. Quadrante, 6ª edição, 1995). Já o laicismo é uma deformação da atitude do leigo. Laicismo é um modo de vida de um cristão que não exerce no seu âmbito, como explica a Lumes Gentium, “a missão de todo o Povo cristão na Igreja e no mundo”.
Durante muito tempo, tentou-se introduzir no cristianismo dois tipos de laicismo: o mundano e o espiritualista. O mundano causou muitos estragos, mas está praticamente morto. E do que se trata? Da idéia de que não adianta ser um bom cristão, virtuoso, se as estruturas de poder estão corrompidas. É preciso interferir na estrutura de poder para colocá-lo nas mãos de quem merece: o povo. Anunciar Cristo torna-se secundário. O principal é conscientizar o povo de que é oprimido pela sociedade e assim libertá-lo do jugo do opressor. Eis, em linha gerais, a teologia da libertação, que foi não uma tentativa de cristianizar o marxismo, mas de “marxizar” o cristianismo. Uma tentativa de conjugar o verbo em um tempo inexistente e que atualmente está em lenta agonia, como dizia o então Cardeal Ratzinger. “O marxismo se havia concebido nestes termos: uma corrente que auspiciava justiça para todos, a chegada da paz, a abolição das injustiças relações de predomínio do homem sobre o homem, etc. Para alcançar estes nobres objetivos se pensou em que havia que renunciar aos princípios éticos e que se podia utilizar o terror como instrumento do bem. No momento no qual todos puderam ver, ainda que só fosse em sua superfície, as ruínas provocadas na humanidade por esta idéia, as pessoas preferiram refugiar-se na vida pragmática e professar publicamente o desprezo pela ética» (fonte: Zenit – 19/02/2004).
Entretanto, o cristianismo mundano talvez tenha sido menos prejudicial do que o espiritualista. Por quê? Porque esse último pretendeu ser o cristianismo autêntico, quando não passou de uma caricatura do verdadeiro cristianismo. O que interessava nessa pretensa prática cristã era o rito e o dogma, ou seja, a aparência externa. Por esse motivo, o filósofo Luigi Pareyson denominou-a de “formal”. É mais nociva ao cristianismo porque, evidentemente, não há nada de mal em ser a favor do rito e do dogma. Porém, quando não incorporados ao cotidiano, é um caminho seguro para a hipocrisia.
Como morreram essas formas de vida? Como surgiram? Trataremos da história do laicismo nos capítulos seguintes. Antes, é preciso recordar o que Pareyson escreveu em 1950. Dizia que aquele era um momento de crise. E crise “significa a dissolução de uma conclusão e problema de um novo princípio”, ou seja, uma cultura que se esgota e a indefinição sobre um novo modelo. Pensando na crise o que Pareyson percebeu? Que, com o fim do laicismo, não há senão duas alternativas: ou uma cultura anticristã ou cristã autêntica.
O que é possível perceber é que, principalmente no fim do século XX e ainda neste início de século, a indefinição persiste: “O anticristão está disposto a reconhecer ao cristão o que o cristão laicista reivindicava, ou seja, a interioridade, mas confinada no âmbito da consciência pessoal”, afirmou Pareyson. Nada muito diferente do que o governo francês aprovou no dia 12 de fevereiro de 2004: a proibição do uso de símbolos religiosos visíveis. Ou as críticas que o então Papa João Paulo II recebe freqüentemente por “interferir em questões fora do âmbito da igreja”.
Como os cristãos estão buscando uma cultura que tenha como base os valores do cristianismo? Felizmente, o assunto ocupa diversas páginas e que serão tratados em alguns capítulos.