| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||
| 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 |
| 13 | 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | 19 |
| 20 | 21 | 22 | 23 | 24 | 25 | 26 |
| 27 | 28 | 29 | 30 |
Soneto de domingo
Em casa há muita paz por um domingo assim.
A mulher dorme, os filhos brincam, a chuva cai...
Esqueço de quem sou para sentir-me pai
e ouço na sala, num silêncio ermo e sem fim,
um relógio a bater, e outro dentro de mim...
Olho o jardim úmido e agreste: isso distrai
vê-lo, feroz, florir mesmo onde o sol não vai
a despeito do vento e da terra que é ruim.
Na verdade é o infinito essa casa pequena
que me amortalha o sonho e abriga a desventura
e a mão de uma mulher fez simples e amena.
Deus que és pai como eu e a estimas, porventura:
quando for minha vez, dá-me que eu vá sem pena
levando apenas esse pouco que não dura.