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Entre aspas
por Soraia Costa e Sylvio Costa
matéria publicada no site www.congressoemfoco.com.br (resumo)
A disputa presidencial de 2006 deu margem, inclusive aqui no Congresso em Foco, a protestos os mais variados. A falta de bons candidatos, o baixo nível dos debates e da propaganda eleitoral, a absoluta ausência de propostas concretas capazes de conduzir o país a dias melhores foram algumas das reclamações feitas por leitores, articulistas e até mesmo por nós, discretos integrantes da equipe fixa do site.
Mas, digam o que quiser, se a campanha não possibilitou um debate dos mais iluminados ou uma disputa das mais edificantes, pelo menos deixou muitas frases saborosas. Algumas, por sua graça. Outras, pelo conteúdo revelador. Sem falar daquelas marcadas pelo non sense. A seguir, alguns exemplares desses diversos tipos.
Alckmin
"Quanta mentira. Como o Lula mudou. As CPIs só saíram porque o Roberto Jefferson contou a verdade". (no debate na Bandeirantes, dia 8 de outubro, após Lula afirmar que não fez nada para impedir a apuração de irregularidades durante o seu governo)
"Eles criaram a Mentirobrás, porque é uma mentira atrás da outra". (no dia 13, em campanha, negando a intenção de privatizar estatais ou abandonar o Bolsa Família)
"Não meça as pessoas pela sua régua!". (no debate da Bandeirantes, após Lula dizer que ele não permitiu o funcionamento de CPIs e citar irregularidades durante sua gestão em São Paulo)
"Ele sabe tudo sobre o governo Fernando Henrique, é pena que não saiba nada do seu governo". (idem)
Lula
"A democratização dos meios de comunicação passa pela democratização dos meios de comunicação". (em debate na Record, no último dia 23)
"Ao invés de eles ficarem com tanta bronca de mim, eles deveriam pedir a Deus que eu ganhasse para eu poder deixar o Brasil muito melhor" (em comício na zona leste de São Paulo, dia 22)
"Humildemente, sei que estamos longe de fazer o que deveríamos ter feito. Humildemente, sei que erramos, sei que fizemos coisas erradas. Mas com tudo que erramos, o país melhorou comparando com os oito anos deles" (Lula, no último comício de campanha, em São Paulo, dia 26)
"Não sei porque você está assim tão nervoso, Alckmin. Isso nem combina com você". (idem)
"Ontem, pensei que não estava na frente de um candidato, mas de um delegado de porta de cadeia. O debate político poderia ter fluído pelas soluções do governo brasileiro. O povo não quer ouvir xingamento, quer saber o que o candidato pode fazer para melhorar a vida dele" (no dia seguinte ao debate na Bandeirantes)
Canção Póstuma
Fiz uma canção para dar-te;
porém tu já estavas morrendo.
A Morte é um poderoso vento.
E é um suspiro tão tímido a Arte...
É um suspiro tímido e breve
como o da respiração diária.
Choro da pomba. E a Morte é uma águia
cujo grito ninguém descreve.
Vim cantar-te a canção do mundo,
mas estás de ouvidos fechados
para os meus lábios inexatos
- atento a um canto mais profundo.
E estou como alguém que chegasse
ao centro do mar, comparando
aquele universo de pranto
com a lágrima da sua face.
E agora fecho grandes portas
sobre a canção que chegou tarde.
E sofro sem saber de que arte
se ocupam as pessoas mortas.
Por isso é tão desesperada
a pequena, humana cantiga.
Talvez dure mais que a vida.
Mas à Morte não diz mais nada.