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Vinte séculos de revolução
e inda há fome do pão que é a poesia.
Quando tento saciá-la, tento em vão:
é meu ritmo perene, noite e dia.
Cristo, quero escutar Teu coração:
pendo a cabeça e escuto-o. Essa agonia
de fazer o poema, essa paixão,
na Última Ceia começou. Seria,
um de nós... um de nós era suspeito
um de nós entre os doze Te trairia.
E sob o peso dessa suspeição,
repousei a cabeça no Teu peito.
E esse ritmo de vida que eu ouvia
era o ritmo de fome deste pão.
(De , Livro de Sonetos, Nova Aguilar, p. 480)