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Por Otávio Machado, colaborador de Em Foco
("muito legal, mas vou contar para a sua mãe", poderia ser o título da obra ao lado)
Os jornais, coitados, são tímidos. Talvez seja esse o motivo de não estarem descendo a lenha na 27 Bienal de SP. Se não, por que transferir para o público - "o público quer entender, mas não consegue" - o que é um sentimento geral?
O que já foi vanguarda e teve um significado em tempos em que o homem estava pasmado consigo mesmo, após duas Grandes Guerras, hoje é sinônimo de mesmice: "Vão jogar cocô no ventilador? Ah...", poderia dizer um possível visitante. Mas nem isso dirá, pois mal presta à atenção a qualquer coisa relacionada à Bienal, que tem tudo, menos arte. Talvez sem querer, uma jornalista escreveu: "A gratuidade da entrada para a 27 Bienal é uma das maiores qualidades do evento" (Estadão, 09/10). Seria atrevido demais dizer única?
Se na Bienal encontrássemos tudo o que as artes plásticas têm a dizer estaríamos perdidos. Graças a Deus - literalmente- a arte pode mais. Há, em SP e no Brasil, grandes artistas produzindo obras-primas. Talvez em outra oportunidade mostraremos este trabalho.
Uma última palavra sobre a Bienal: ela acaba no dia 17 de dezembro, mas não precisa correr, nem andar: melhor não ir, pois o tempo não é dinheiro, mas é precioso.
A Virgem Maria
O oficial do registro civil, o coletor de impostos, o mordomo da
[Santa Casa e o administrador do cemitério de São João Batista
Cavaram com enxadas
Com pás
Com as unhas
Com os dentes
Cavaram uma cova mais funda que o meu suspiro de renúncia
Depois me botaram lá dentro
E puseram por cima
As Tábuas da Lei
Mas de lá de dentro do fundo da treva do chão da cova
Eu ouvia a vozinha da Virgem Maria
Dizer que fazia sol lá fora
Dizer i n s i s t e n t e m e n t e
Que fazia sol lá fora.