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Arquivo de: Outubro 2006

30.10.06

Mapa político do Brasil

No mapa ao lado, publicado pelo site Terra, parece não haver dúvidas de que,quando falamos sobre o Brasil, temos de compreender que há dois países. Lula ganhou falando para um deles.  
  • criado por  Eduardo Gama criado por Eduardo Gama
  • Postado em 11:12:29

24.10.06

A escolha de Fausto - as artes plásticas hoje



*Sérgio Lucena

As características de cada época, em algum momento no futuro, revelam as demandas do homem em seu tempo. Isto em todas as esferas, desde o fisiológico, passando pelo psicológico e filosófico até o espiritual. A história nos revela assim os múltiplos aspectos que compõe, em sua complexidade, a jornada da espécie humana rumo à consciência.
Tudo leva a crer, que estamos a viver um momento significativo, de grandes constatações que apontam para a inviabilidade da nossa presença neste planeta, caso o modelo de gerencia dos recursos naturais mantenha a mesma orientação. Esta questão me remete a um contexto simbólico muito pertinente, qual seja: a encruzilhada, ou a cruz.
Nosso empenho, desde as cavernas, fora o de domar a natureza, "civilizando-a." Constatamos hoje, apenas a nossa arrogância e prepotência, em nos julgarmos capazes de melhorar o mundo a partir da nossa ignorância em relação a ele e a nos mesmos.
Entretanto não se pode negar a importância deste empenho. Ao contrario, a isto devemos, inclusive, a perspectiva da mudança de rota, pois a consciência que dispomos da realidade hoje, é fruto deste esforço. Alem do que, ter consciência é o que nos faz humanos.
Esta reflexão introdutória vem para situar minhas considerações à realidade da Arte em nossos dias, tendo o foco na Arte produzida nos países ditos em desenvolvimento a exemplo do Brasil. Considero ter sido eleita a "Arte Conceitual" para atender, nestes paises cuja complexidade cultural é forte, a um projeto eficaz de domínio pela alienação. Esta ação se dá por intermédio e financiamento das instituições culturais, governamentais e privadas, o que lhe garante o caráter oficial.
O objetivo é a implantação de padrões internacionais de comportamento, eliminando a diversidade e peculiaridades regionais, obliterando o conceito de nação, em atenção a um modelo de consumo que garanta a dominação por dependência econômica e tecnológica. Dito isto, parto para a minha reflexão sobre esta consideração.
É pertinente aqui lembrar as palavras de Tristan Tzara, importante pensador Dadaísta, movimento precursor da Arte Conceitual: "Dada é este. Dada é aquele... De qualquer forma é caca..." Este gênero de humor parece desconhecido da atual geração, e tudo parece ter se tornado racional e dogmático, conduzindo o termo "Conceitual" a um paradigma. Ante a expressão "Arte Conceitual", pode-se achar, por exemplo, que a arte Gótica seja desprovida de conceito. Ocorre que não há nem nunca houve Arte sem conceito. Toda expressão, cuja elaboração material e formal suscita a um pensamento de cunho filosófico e espiritual, é conceitual.
Assim que Marcel Duchamp compreendeu que conseguira espalhar as suas idéias novas, renunciou aristocraticamente a este jogo e afirmou, profeticamente, que outros jovens se especializariam no jogo de xadrez da arte contemporânea; depois, começou ele próprio a jogar xadrez. Naquela época, haviam em Paris um reduzido numero de pessoas que compreendiam os ready-made de Duchamp, hoje são milhões e milhões em todo o mundo, e parece que alcançamos o momento em que todos os objetos existentes são ready-made, ou seja, nada mais é ready-made. Curioso notar que a atitude moral do ready-made consiste em não tocar a realidade, e nisto estava à força e o poder que atirou a pá de cal numa estrutura acadêmica de arte que não mais correspondia à demanda da época.
Porém, a atitude revolucionaria foi encampada pela nova mentalidade que surgia impulsionada pelo desenvolvimento industrial do pós-guerra. O modelo de produção e consumo de massa. Não é a toa que estamos diante hoje, a uma produção de arte cuja matriz seja a mesma que encontramos na publicidade. A idéia "genial", o espetáculo, e a efemeridade. A arte deixa de ser um instrumento de reflexão da condição humana em sua época, para tornar-se um instrumento de validação, por empatia, do modelo industrial de consumo.
O maior de todos visionários deste conceito, Andy Warhol, proferiu: "no futuro todos serão famosos por quinze minutos." É a democratização da arte a nos tornar todos em artistas. A experiência individual, capaz da aquisição pessoal de um novo patamar de consciência, a partir da reflexão ante o objeto de arte, é substituída pela participação coletiva, interativa, muitas vezes física do objeto de arte.
É a dessacralização do conceito de Arte como portal de acesso, ao individuo, a novos planos espirituais, o que requer contemplação e reflexão, em troca do acesso rápido, fácil e eficaz aos novos ícones coletivos forjados pela sociedade de consumo como a lata de sopa Campbell's ou Marilyn Monroe. Morre o individuo reflexivo e analítico, e surge o homem de massa identificado e integrado pelo ícone industrial, ao conceito imposto à época. Também agora ele é um produto, feliz, igual a tudo e a todos.
A lei que rege este conceito é a mesma que vale tanto para o sabor padrão do hambúrguer Mac Donald's, quanto para um significado estético. Qual seja: a homogeneização dos valores. Creio que nem Stalin, o mais totalitário governante comunista, foi capaz de vislumbrar uma cultura de massa tão perfeita quanto a que estamos a viver.
Entretanto há sempre um "novo" mundo que, constantemente, se abre ante nossos olhos, parcialmente revelado pela Ciência, pela Arte e pela Religião, o qual é infinito e abriga imensa riqueza de imagens que foram entesouradas e organicamente adensadas por milhões de anos de desenvolvimento vivo. Essas imagens não são sombras pálidas, mas condições poderosas da alma que talvez possamos entender mal, mas jamais roubar-lhes o poder, negando-as.
As recentes Bienais no Brasil e no mundo são para mim uma oportunidade de reflexão, pois nelas vejo a encruzilhada diante a qual a Arte se encontra: Atender à demanda espiritual do homem em sua época, ou se eximir deste compromisso histórico em favor da alienação confortável. Faz-me pensar no drama do Fausto...

* Sérgio Lucena é artista plástico. Expôs em vários países, a exemplo da Alemanha - onde viveu como bolsista da Deutch-Brasilienische Kulturelle Vereingung in Berlin - Estados Unidos, Dinamarca e Portugal, e em várias capitais brasileiras. Atualmente está radicado em São Paulo, capital. Informações: www.sergiolucena.net. O artigo "A escolha de Fausto" foi escrito originalmente para o jornal da Universidade do Estado de São Paulo - Unespe, a pedido do editor e crítico de arte Oscar D'Ambrosio.

  • criado por  Eduardo Gama criado por Eduardo Gama
  • Postado em 16:51:43

19.10.06

Um poema de Jorge de Lima

Vinte séculos de revolução

e inda há fome do pão que é a poesia.

Quando tento saciá-la, tento em vão:

é meu ritmo perene, noite e dia.

 

Cristo, quero escutar Teu coração:

pendo a cabeça e escuto-o. Essa agonia

de fazer o poema, essa paixão,

na Última Ceia começou. Seria,

 

um de nós... um de nós era suspeito

um de nós entre os doze Te trairia.

E sob o peso dessa suspeição,

 

repousei a cabeça no Teu peito.

E esse ritmo de vida que eu ouvia

era o ritmo de fome deste pão.

(De , Livro de Sonetos, Nova Aguilar, p. 480) 

  • criado por  Eduardo Gama criado por Eduardo Gama
  • Postado em 13:14:45

17.10.06

Uma interpretação de Gregório - parte I

O fato é que a pluralidade de interpretação, longe de ser um defeito e uma desvantagem, é o sinal mais seguro da riqueza do pensamento humano, tanto é verdade que nada é mais absurdo do que querer conceber a interpretação como única e definitiva (...).

Luigi Pareyson

por Eduardo Gama

1. Gregório para além da Bahia

Difícil, senão impossível, pintar um retrato do primeiro grande poeta brasileiro. Sabe-se a data do seu nascimento, 1636, mas se tem dúvidas acerca do ano de sua morte, talvez, 1696. Após o seu falecimento, o poeta ficou praticamente esquecido. No século seguinte, porém, o licenciado Manuel Pereira Rabelo publicou uma biografia e as obras atribuídas a Gregório. No fim do século XIX o poeta começou a ganhar a atenção dos críticos e, por fim, o século XX discutiu a sua obra.
Discutiu à maneira do século XX, ou seja, em lutas ideológicas. Gregório foi para uns, o imoral e, para outros, o homem que lutava contra a ordem estabelecida. Mais recentemente, alguns pensaram ser nenhum dos dois, apenas um homem do seu tempo.
Essa última afirmação parece ser a mais coerente, pois qualquer homem é homem do seu tempo. Reflete, portanto, se é um literato, os modismos do seu tempo. Em Gregório percebe-se muito bem esse fato: escreveu sátiras, poemas religiosos e eróticos, como era comum nos grandes nomes de sua época, tais como os poetas espanhóis Góngora e Quevedo. Logo, como afirma o professor João Adolfo Hansen em A sátira e o engenho – Gregório de Matos e a Bahia do século XVII, é impossível definir qualquer traço expressivo marcante na obra do poeta baiano. Segundo parece dizer o autor, é necessário analisar as condições em que os poemas foram escritos para se compreender Gregório. Deixe-se de lado o homem e o significado da obra e parte-se para o estudo da época e, fundamentalmente, do estilo predominante. Assim se terá a chave para a análise da obra.
Se é importante ressaltar certas características de época para compreender melhor a obra, como por exemplo o conceito de plágio, Hansen é preciso quando diz que românticos, concretistas e tropicalistas pretenderam moldar um Gregório de acordo com o seu tempo e a sua ideologia, sem levar em conta que Gregório não queria destituir os poderes estabelecidos através de seus versos, mas satirizar esses poderes, visto que a prática era comum no século XVII. Parece que o autor quer afirmar que é vã a busca de qualquer interpretação da obra, salvo a histórica.
O grande perigo dessa visão é confinar o poeta ao seu século. Levando às últimas conseqüências esse modo de pensar, A Divina Comédia seria fruto direto do meio cristão em que foi composta e pouco importa saber se Dante aceita as convicções expressas na obra; também Camões teria se utilizado do platonismo vigente como mera convenção renascentista e a mensagem da sua poesia é irrelevante ou inexistente, pois reflete as idéias do seu tempo. O filósofo Luigi Pareyson define o pensamento histórico, em contraposição ao revelativa, da seguinte forma: “Para encontrar o verdadeiro significado do discurso, é preciso considerar o pensamento não por aquilo que diz, mas por aquilo que trai, ou seja, não pelas suas conclusões explícitas, pela sua coerência racional, pela universalidade dos seus conceitos, mas pela base inconsciente que aí se exprime, isto é, a situação, o momento histórico, o tempo, a época.” (Verdade e Intermpretação, p.13)
Certo, muitos nos meios acadêmicos pensam dessa forma. Contudo, gostaria de expor uma visão diferente, que leva em conta as marcas históricas de uma obra, mas que transcende essa época, visto que a obra de arte tem como objetivo o homem. Não há dúvida que Gregório de Matos é um artista do seu tempo e utilizou-se das convenções literárias da sua época. Porém, acredito que Gregório é ainda hoje lido e estimado pelos leitores de poesia porque sua poesia insere-se na tradição brasileira.
Novamente um conceito – tradição - bastante equívoco. Entendo por tradição não “a transmissão de um resultado histórico, mas fundamentalmente escuta do ser, isto é, diálogo com o passado somente enquanto é reclamo à origem; e atravessa os séculos não porque esteja colocada no tempo, mas porque está inserida no próprio coração do advento temporal do ser. (...).” (idem, 46-47) A saber: não acredito que Gregório esteja inserido em uma tradição apenas porque escreveu no Brasil no século XVII e desde o século XIX faça parte da nossa história da literatura, mas sim porque a sua poesia, seguindo as regras poéticas do tempo, revelou algo sobre o ser humano. O passado aqui é visto “não tanto como anterior ao presente como vizinho do ser.” (idem, 47)

2. Gregório é tudo isso?

Essa pergunta, informal e provocativa foi posta com um sentido: Gregório pode ser visto como um poeta que revelou o ser em sua obra, que com sua vida nos transmitiu um ponto de vista sobre a verdade e por isso seja válido o estudo da sua obra hoje em dia?
É preciso uma análise, não tanto da sua vida, pois os documentos são mínimos e tendenciosos, mas sim pela sua obra. Como ainda não foi feita - e dificilmente será possível- uma edição da poesia de Gregório em que a autoria de todos os poemas seja comprovada, tomaremos como base a compilação de James Amado, Gregório de Matos: Crônica do viver baiano seiscentista. Para análise da sua poética, tomaremos como base o excelente trabalho de Segismundo Spina.

  • criado por  Eduardo Gama criado por Eduardo Gama
  • Postado em 20:09:34

Uma interpretação de Gregório de Matos - parte II

3. Tentativa de interpretação

Como é conhecido, Gregório de Matos possui três facetas: o religioso, satírico e o lírico.
Das três, a última não legaria ao poeta a fama que hoje tem, visto ser, digamos, razoável. Isto porque o seu maior defeito torna-se evidente nesta parte: a imagética. De fato, Gregório não é um poeta muito imaginativo, como grande parte da literatura brasileira. Basta ver que não tivemos grandes livros do gênero fantástico, como na Europa. Além disso, o poeta baiano não realizou, na sua lírica, mais do que repetir o exaurido ideário renascentista, a la Camões, como no Namorado, o poeta fala com um arroio. O seu melhor poema lírico talvez seja A um passarinho cantando.
Não há dúvidas, mesmo entre os críticos, de que o melhor da sua produção concentra-se nos poemas satíricos. Ainda que pese o franco imoralismo em diversas poesias, muitas guardam o tom crítico bem humorado que ainda é tipicamente brasileiro. Como diz Spina: “A sátira foi a poesia por excelência praticada pelo poeta baiano; foi satírico acima de tudo, e nesse gênero ninguém o excedeu talvez em toda a América. (59)” Um dos melhores exemplares é “Aos caramurus da Bahia”, que vale a pena transcrever os últimos dois tercetos:

Alarve sem razão, bruto sem fé,
Sem mais leis que as do gosto, quando erra,
De Paiaiá tornou-se em abaité. (de pagé fez-se horrível, medonho. Termo tupi)

Não sei onde acabou, ou em que guerra:
Só sei que deste Adão de Massapé
Procedem os fidalgos desta terra.

Politicamente incorretíssimo, algumas vezes indesculpavelmente obsceno e racista: estamos no terreno no qual Gregório foi mestre. Na sátira, um outro defeito da sua poesia abranda-se, a saber: o exagerado uso de adjetivos, que tenta suprimir a ausência citada anteriormente, de imagens. Mas na sátira o adjetivo é fundamental.
Não é possível esquecer, dentre as sátiras, o poema Reprovações, composto em quadras de versos com sete sílabas, a redondilha:

Se andais devagar,- mimoso,
Se depressa, sois cavalo,
Mal encarado, se feio,
Se gentil, efeminado.

Como diz Spina, “ninguém melhor do que Gregório teria pintado os rumores da eterna maledicência”(195).
Contudo, é ainda na poesia religiosa que Gregório é mais conhecido. Versos como “Pequei senhor; mas não porque hei pecado...” (A Jesus Cristo Nosso Senhor) estão presentes em todas as antologias. É na poesia religiosa que o poeta é mais “barroco”, pois os jogos verbais, anadiploses (figura de linguagem que veremos a seguir) e antíteses aparecem com maior freqüência, como no poema nos últimos dois tercetos desse famoso poema:

Arrependido estou de coração,
De coração vos busco, dai-me os braços,
Abraços, que me rendem vossa luz.

Luz, que claro me mostra a salvação,
A salvação pretendo em tais abraços,
Misericórdia, amor, Jesus, Jesus!

Anadiplose: todos os versos têm início com a última palavra do verso anterior, salvo o último e o primeiro, logicamente.


Alguns falam na suposta falta de sinceridade dos poemas religiosos de Gregório, o que é difícil se não impossível de se saber. Fato é que, ao generalizar situações – Arrependido estou de coração- , nos dá essa impressão. Pode ser, mas basta o poema Ao menino Jesus, que traz a explicação: de Nossa Senhora das maravilhas da Sé, quando os hereges o fizeram em quartos, que foram achados por várias partes imundas, fez o autor dois sonetos, este o segundo da sacra, o qual reproduzimos integralmente a seguir:

Entre as partes do todo a melhor parte
Foi a parte, em que Deus pôs o amor todo
Se na parte do peito, o quis pôr todo,
O peito foi do todo a melhor parte.

Parta-se pois de Deus o corpo em parte,
mas a parte em Deus ficou o amor todo;
Por mais partes, que façam deste todo
De todo fica intacta essa só parte.

O peito já foi parte entre as do todo,
Que tudo mais rasgaram parte a parte;
Hoje partem-se as partes deste todo:

Sem que do peito todo rasguem parte,
Que lá quis dar por partes o amor todo,
E agora o quis dar todo nesta parte.

Difícil, enfim, contestar a sinceridade de um poeta que, ao ver uma estátua do Menino Jesus despedaçada lembra-se da Eucaristia e compõe esse belo poema, tanto no conteúdo como na forma, pois o soneto é muito oportuno para a exposição de temas profundos.
Outro poema em que podemos perceber a facilidade com que o poeta lidava com as forma é Salve Rainha a Virgem Santíssima, composto por quadras de sete versos, sendo que o último verso de cada quadra termina por uma parte da oração: “Sois divina formosura/ sois entre as sombras da morte/o mais favorável Norte/ e sois da vida doçura”.

4. Conclusão

Analisar a poesia de Gregório leva à conclusão de que se trata de um dos grandes poetas brasileiros. Embora concordemos com a opinião do crítico Antônio Cândido exposta em A Formação da Literatura brasileira, o poeta baiano merece ser incluído em um estudo dos poetas brasileiros. Apesar de não haver uma literatura nacional, havia já um poeta nacional.
O uso excessivo de gírias e termos próprios do seu século fez com que muito da sua poesia envelhecesse. Além disso, diversos poemas são somente variantes dos grandes nomes de então, como Gôngora e Quevedo. Entretanto, como pensamos ter sido exposto ao longo dessas considerações, Gregório de Matos legou à poesia nacional bons poemas sacros e satíricos.

  • criado por  Eduardo Gama criado por Eduardo Gama
  • Postado em 20:01:40