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Em 2006, publiquei meu primeiro livro de poesias, Sonata para verso e voz. A seguir, dois poemas que figuram na obra:
O Sobrevivente
Haverá nessa terra um amor puro,
Que conheça o perfume da doçura,
Que saiba versos de cor, mesmo muda,
Haverá nessa terra um amor puro?
Eu vaguei pelas ondas da amargura
Todos diziam ser assim o mundo
E melhor aceitar a querer tudo.
Eu vaguei pelas ondas da amargura.
Conheci, ai de mim, olhos imundos,
E bocas falsas, e línguas impuras,
Falsos corações, velhas pedras duras.
Conheci, ai de mim, olhos imundos.
Sou o náufrago das ilhas impolutas,
Envio sinais aos céus: serei o único
Que espera o amor vir com a sua escuna?
Haverá nessa terra um amor puro?
Solidão
Falei comigo e ninguém respondeu.
Cantei as mesmas velhas cantigas
Do tempo do “o que é meu também é teu”,
Mas a voz não era a que eu conhecia.
Nem o corpo, que eu pensava ser meu,
Nem ele quis minha companhia.
Somente a voz viva que morreu
Longe soprou o que me acordaria:
“Quem morava aqui não te esqueceu
e te quer com a dor da mãe aflita
ao pé do filho insano que se perdeu
e a trata como uma desconhecida.”
Quero ouvir outra vez a voz de Deus.