| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | 3 | ||||
| 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 |
| 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 | 17 |
| 18 | 19 | 20 | 21 | 22 | 23 | 24 |
| 25 | 26 | 27 | 28 | 29 | 30 |
Publicado originalmente em 1994, em Portugal, Um deus passeando pela brisa da tarde é agora lançado no Brasil. A Companhia das Letras já havia editado outra excelente outra de Mário de Carvalho, Era bom que trocássemos umas idéias sobre o assunto, romance que é uma sátira dos tempos atuais.
Um deus passeando pela brisa da tarde começa bem pelo título, que teve como inspiração uma passagem do Gênesis, epígrafe da obra: “Aperceberam-se de que o Senhor Deus percorria o jardim pela frescura do entardecer”. Esse versículo faz às vezes de resumo da obra, que, claro, não contarei aqui em detalhes.
A história se passa no século II d.C, na cidade imaginária de Tarcisis, na Lusitânia. Quem a narra é Lúcio Valério: “Aos 213 anos da era de Augusto, 928 da fundação da Urbe, sob o império de Marco Aurélio Antonino, era eu duúnviro em Tarcisis, pela segunda vez” Que é duúnviro? O governante municipal. Por aí já se vê que é um livro de ficção, sim, mas com grande bagagem histórica. Pois bem. E o que conta Lúcio Valério? A história do seu governo em Tarcisis, que está sendo ameaçada por uma invasão bárbara e de uma rebelião interna: o povo da cidade não aceita a presença de uma nova seita que começa a se infiltrar na cidade: os cristãos.
Essa história, com grandes surpresas entre os capítulos, será contada de forma maravilhosa, já não por Lúcio Valério, mas por Mário de Carvalho, talvez o maior nome do romance português na atualidade. Os termos, as frases fluidas, a descrição de personagens corrobora essa opinião: é ler para crer.
Trecho do livro
"O que passou, passou? Deixem-me cultivar esta despreocupação, a ilusão de que o mundo seguirá para sempre imperturbado e imperturbável, após um desassossego passageiro na sua ordem. Sou um senhor da terra, sou um romano, leio, cultivo-me, marco os tempos com o meu porte, os meus gestos, os meus ditos, as minhas maneiras, a minha fleuma, o meu trajo togado. Dignidade. Gravidade. Romanidade. Humanidade. Convulsos temores e angústias resolvam-nos as legiões, e de rijo, que é o que lhes compete. A mim, agora, os livros... "