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Murilo Mendes nasceu em 13 de maio de 1901 e morreu em 1975. Converteu-se ao catolicismo em 1934 e, em conjunto com Jorge de Lima, escreveu o livro Tempo e Eternidade. Ligado ao surrealismo, compôs versos de grande riqueza de imagens. O poema selecionado integra o livro As Metamorfoses, de 1944.
A partir de 1957, mudou-se para a Itália, onde foi professor de cultura brasileira em Roma e em Pisa. Visitou esporadicamente o Brasil.
Fim
Eu existo para assistir ao fim do mundo.
Não há outro espetáculo que me invoque.
Será uma festa prodigiosa, a única festa.
Ó meus amigos e comunicantes,
Tudo o que acontece desde o princípio é a sua preparação.
Eu preciso presto assistir ao fim do mundo
Para saber o que Deus quer comigo e com todos
E para saciar a minha sede de teatro.
Preciso assistir ao julgamento universal,
Ouvir os coros imensos,
As lamentações e as queixas de todos,
Desde Adão até o último homem.
Eu existo para assistir ao fim do mundo,
Eu existo para a visão beatífica.